“Não existe
meio de sair da mente?”, indaga Sylvia Plath em um de seus últimos poemas
desesperados. Se eu estava aprisionada, era por meus próprios receios. Motivando
tudo aquilo existia o terror de estar sozinha. Ás vezes parecia que me prestava
fazer qualquer acordo, tolerar qualquer ignomínia, ficar com qualquer homem, só
para não ficar sozinha. Mas por quê? O que era tão terrível em estar só? Procure pensar nos motivos, dizia a mim mesma. Procure:
Eu: - Por
que é tão terrível estar só?
Eu: -
Porque se nenhum homem me ama, não tenho identidade.
Eu: - Mas
isso, evidentemente, não é verdade. Você escreve, as pessoas lêem seu trabalho
e ele tem importância para elas. Você leciona, seus estudantes precisam de você
e se importam com você. Você tem amigos que a amam. Até seus pais e irmãs a
amam – a seu modo singular.
Eu: - Nada
disso diminui minha solidão um só milímetro. Não tenho homem. Não tenho filho.
Eu: - Mas
você sabe que os filhos não são antídoto para a solidão.
Eu: - Sei.
Eu: - E você
sabe que os filhos só pertencem temporariamente aos pais.
Eu: - Sei.
Eu: - E
você sabe que os homens e as mulheres jamais poderão possuir-se, uns aos
outros, por completo.
Eu: - Sei.
Eu: - E
você sabe que detestaria ter um homem que a possuísse por completo e usasse o
seu espaço mínimo de respirar...
Eu: - Sei... mas anseio desesperadamente por isso.
Eu: - Mas
se você o conseguisse, ia sentir se presa.
Eu: - Sei.
Eu: - Você
quer coisas contraditórias.
Eu: - Sei.
Eu: - Você
quer liberdade e quer também proximidade.
Eu: - Sei.
Eu: - Pouquíssimas
pessoas encontram isso.
Eu: - Sei.
Eu: - Por
que esperar ser feliz quando a maioria das pessoas não é?
Eu: - Não
sei. Sei, apenas, que se parar de contar com o amor, parar de esperá-lo, parar
de procurá-lo, minha vida vai ficar tão vazia quanto um seio canceroso, depois
da extração cirúrgica. Eu me nutro dessa expectativa. Alimento-me dela. Ela me
mantém viva.
[...]

Nenhum comentário:
Postar um comentário