quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Fabio Herrmann


Ora, a posse integral de si próprio é impossível – por sorte, posto que, satisfeito, cada homem seria o último da Terra, sem descendência, nem haveria obras ou civilização. Somos muito dependentes do meio e da sociedade e, além disso, não nos conseguimos conhecer diretamente: só no confronto com os outros é que sabemos de nós. Conformar-se com isso? Bem, não há outro jeito. Porém, ainda que aceitando a indispensável abertura para o outro, resta sempre um sentimento de perda, básico e inevitável, como uma saudade de si mesmo, embora referente a um estado de posse absoluta que nunca houve ou haverá. Será irracional talvez, mas os homens são assim, nostálgicos precisamente do que tão-somente imaginaram haver possuído.
[Trecho de "O que é psicanálise"]

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